Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa atinge mais de 5 milhões de pessoas no mundo: fique atento aos sinais!

21/02/2024

No Brasil tem se observado aumento no número de novos casos nos últimos anos. Diagnóstico preciso e a evolução no tratamento, com uso imunobiológicos, tem melhorado a qualidade de vida dos pacientes

Cerca de 55 em cada 100 mil brasileiros têm doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa, segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). A entidade ainda estima que mais de cinco milhões de pessoas possuam uma das enfermidades no mundo, que consistem em inflamações crônicas que afetam principalmente o trato gastrointestinal.

Existem alguns sinais e sintomas que podem ser considerados "red flags" (bandeiras vermelhas) para as doenças e indicam a necessidade de uma avaliação médica mais aprofundada. Veja alguns deles: dor abdominal persistente; diarreia crônica que não melhora com o tempo; perda de peso significativa e sem motivo aparente; cansaço persistente e falta de energia; sangramento retal, fezes com sangue, muco ou pus; e náuseas e vômitos frequentes.

Algumas pessoas com doença inflamatória intestinal podem apresentar dores articulares, úlceras na pele, inflamação nos olhos ou outras manifestações fora do intestino.

Crescimento de novos casos da doença

Entre 2012 e 2020, registrou-se um crescimento médio anual de 12,1% no total de casos de Doença de Crohn no País, segundo informações do DataSUS. A SBCP alerta, também, que as doenças inflamatórias intestinais são mais frequentes em adolescentes e adultos jovens, de 15 a 40 anos, com causas relacionadas a fatores genéticos, imunológicos, ambientais, alimentares e alteração da flora intestinal.

Assim, quem apresenta esses sintomas recorrentemente, não deve ignorar os indícios. O diagnóstico requer avaliação clínica, exames laboratoriais que evidenciem inflamação, exames endoscópicos, especialmente ileocolonoscopia, anatomopatológicos e, em alguns casos, procedimentos radiológicos.

Evolução no tratamento

As doenças inflamatórias intestinais (DII) não têm cura, no entanto, o tratamento adequado pode levar à resolução dos sintomas e controle do processo inflamatório, permitindo a cicatrização das lesões, o que é uma remissão. Isso se dá por meio de um tratamento multidisciplinar e de medicamentos como corticoides, aminossalicilatos, imunossupressores, imunobiológicos e pequenas moléculas. Podendo ser, em alguns casos, de forma associada. A depender da doença e de sua localização, há opções de medicamentos tópicos, orais e injetáveis. Há também, em algumas formas da doença, a necessidade de cirurgia.

"Os imunobiológicos têm desempenhado um papel significativo no tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais, proporcionando avanços notáveis no controle da inflamação e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Os imunobiológicos são medicamentos que agem sobre o sistema imunológico para modular ou suprimir as respostas inflamatórias associadas à Doença de Crohn e à Retocolite Ulcerativa", comentou a gastroenterologista da Reuma Ana Paula Hammer.

A médica aponta ainda que alguns dos imunobiológicos utilizados para o tratamento dessas doenças são o infliximabe, o adalimumabe, o certolizumabe pegol, o golimumabe, o vedolizumabe e o ustequinumabe. Além do tofacitinibe que é uma pequena molécula. "Em breve, no Brasil, teremos ainda mais opções de medicamentos para o tratamento das DII, como o risanquizumabe e o upadacitinibe", comentou Ana Paula.

Esses medicamentos são geralmente indicados quando os chamados tratamentos convencionais, como os aminossalicilatos (usados apenas para Retocolite) e os imunossupressores (que podem ser usados em ambas) não são eficazes ou causam eventos adversos significativos ou ainda quando a doença já se manifesta com critérios de gravidade, como a presença de fístulas (trajetos que se formam do intestino para outra parte do corpo) no caso da Doença de Crohn. "Os imunobiológicos têm mostrado eficácia em reduzir os surtos da doença, promover a cicatrização do tecido intestinal e melhorar a qualidade de vida dos pacientes", destacou a médica.

É importante ressaltar que o tratamento é individualizado e a escolha do medicamento depende das características específicas de cada paciente. Além disso, a pesquisa e o desenvolvimento de novos imunobiológicos e terapias continuam, com o objetivo de melhorar ainda mais os resultados clínicos e reduzir potenciais efeitos colaterais.